Category Archives: O que mais vier a cabeça

A leveza de ser sozinha e os horizontes a conquistar

A leveza de ser sozinha e os horizontes a conquistar

Há uns dias tive um insight: quero correr o mundo! Talvez isso tenha um pouco a ver com o acidente grave que sofri no meio do ano passado. Dizem que esses traumas mudam a cabeça da gente. Fazem a gente querer viver. Não é que eu não quisesse viajar por aí antes disso, mas sempre fui muito dependente de vontades alheias. Vejam, o insight na verdade foi que, pela primeira vez desde que me reconheço no espelho, estou bem sozinha. Bem o suficiente pra andar por aí, independente do que quer que seja. Eu escolhi viver assim.

Anos atrás uma terapeuta me disse, após o fim de um namoro, que eu precisava “me bastar”. Muito bonito o termo, mas foi dureza à época. Nós mulheres somos construídas na dependência de outras pessoas, normalmente pais, irmãos, namorados, maridos, amigos, homens. São eles nossos protetores, os que guardam o “sexo frágil” das feiuras do mundo. No meu caso, ainda que há tempos não me exija mais estar com alguém, demorei até conseguir me sentir verdadeiramente plena sozinha. E sozinha não é solitária! Eu gosto de gente; as pessoas me dão alegria. Só que não preciso delas (nem deles) pra estar feliz.

A decisão (ou o insight) de correr o mundo veio acompanhada de muitas dúvidas, é claro. Como gastar pouco sem ser assediada pedindo carona? Onde posso dormir em segurança? E se roubarem minhas coisas? Ora, a minha emancipação pessoal não mudou o mundo machista em que vivemos, infelizmente. Uma mulher viajando sozinha é sempre mais “fácil” do que um homem. Ainda assim, não é que isso tudo não importe, é que hoje eu me sinto feliz por ser quem eu sou. Não me falta nada. Sou uma mulher livre. Quero ver o mundo com os meus próprios olhos, tocá-lo com minhas próprias mãos e caminhar por ele com minhas próprias pernas – que vão ainda melhor depois do acidente, obrigada.

Não sei quanto tempo isso de ficar sozinha vai durar. Talvez uns meses, uns anos, talvez uma vida toda. Não tenho mais medo de “ficar pra titia”. Eu sou a mulher da minha vida e isso me sustenta. Por agora fico com a meta de, não só contemplar os horizontes, mas chegar até eles. Seja como for, seja com quem for.

Um vinho, uma cidade, uma conversa: como lidar com o amor livre?

Um vinho, uma cidade, uma conversa: como lidar com o amor livre?

Esse fim de semana, tive o incrível prazer de ir para Porto Alegre. Uma daquelas deliciosas viagens que, apesar de curta, vai ficar na minha cabeça por bastante tempo. Encontrar amigos, conhecer lugares, gostos, rostos. Mas, com certeza, o que mais marcou essa viagem foi um vinho, o frio e uma conversa que deixou uma pulga atrás da orelha. Não tínhamos nenhuma pretensão de fazer grandes teorias. Eu e a Jana Calu (vale conhecer o blog dela com outras amigas queridas: Românticas Somos Nós) já queríamos bater um papo. Somos amigas já faz tempo, sempre queremos conversar. E disso saiu a força para construir uma maneira nova de olhar o mundo.

A primeira pergunta que eu me fiz e sigo me fazendo é: onde queremos chegar com esse papo todo de relacionamento aberto? Quem me conhece, sabe que eu sou uma grande defensora da liberdade das pessoas, de que cada um tenha o controle do seu próprio corpo e de seus sentimentos. Mas depois de algum tempo observando os relacionamentos (tradicionais e não tradicionais), tirei algumas conclusões. E dividi isso e uma garrafa de vinho com a minha amiga. Porque podemos querer, dentro de nossas cabeças, chegar a um relacionamento onde cada um é livre pra viver o amor e a sexualidade a sua maneira. Onde cada um possa fazer aquilo que lhe convier, sem que isso possa parecer menos amor, menos querer bem.

Estou tentando construir um relacionamento em novos moldes. Um relacionamento livre. Mas tenho que confessar aqui uma coisa: a minha insegurança é um grande empecilho para que eu mesma possa me sentir livre. Para que eu mesma possa fazer aquilo que quero sem me sentir meio estranha, meio traindo o amor que sinto. E fico me perguntando porque eu sou tão insegura, porque eu não consigo simplesmente me libertar, me soltar, me jogar. E é preciso ter um olhar sobre o todo para pensar o micro. Provavelmente as poucas pessoas que leem meus textos até o fim já desistiram nessa altura, porque estou aqui rocamboleando para chegar ao cerne da questão. Mas se você leu tudo isso, não desista. Vou “direto ao assunto”: qual a diferença entre relações livres (ou amor livre) e consumo do outro? O que faz com que se relacionar como quiser não seja um “amor fast food”?

Pode parecer confuso, mas não é. O que eu quero colocar aqui, a questão que vem me angustiando faz tempo é que não se pode confundir amar todo mundo com amar somente a si mesmo. Não se pode querer que o seu prazer esteja acima do prazer dos outros. Tenho visto isso com certa frequência. Amigos que dizem que querem a liberdade e que se prendem ao consumo do corpo, do amor, do prazer do outro.

Não, não estou aqui defendendo que sexo é só em relacionamentos lindos e estáveis. Não. Estou defendendo que todo prazer tem que ter algum sentimento. E sentimento significa necessariamente também pensar no outro. Estou aqui dizendo que as pessoas a minha volta que, em sua maioria, defendem que querem seu direito de amar livremente, andam mais é não-amando quem querem, ao seu bel-prazer. Consumindo o corpo e, muitas vezes o amor, do outro como se fosse McDonald’s na hora da larica. No fim da noite, é preciso sair acompanhado. É preciso ter algo pra se lembrar no dia seguinte.

Aí eu pergunto: onde fica o gozo? Onde fica o orgasmo? Onde ficam as preliminares? Onde esquecemos o amor? Será que, na hora de tirar a roupa, também tiramos o carinho?

Claro que não vou aqui ficar julgando o que cada um sente. Mas saí dessa conversa pensando em mil coisas. Em que tipo de relação eu quero construir (com o meu atual companheiro e com quem mais eu me relacionar – durante e depois desse relacionamento). E não cheguei a conclusão nenhuma. Mas acho que pelo menos uma coisa eu tirei: quero construir relações. Quero que cada coisa que eu fizer, cada pessoa com quem eu ficar, cada vez que eu transar, seja com carinho, com respeito, com amor. Não quero viver de “mais uma trepada”. Não quero “garantir a noite”.

Aí talvez eu tenha chegado a alguma conclusão: a maior dificuldade de construir o amor livre é saber o que é amor.

Nada como um bom boteco!

Nada como um bom boteco!

Ainda não tinha escrito nada para o blog, e ontem à noite fiquei pensando sobre qual assunto eu ia fazer a minha estreia de “blogueira”… Pensei em falar de cerveja, pensei em falar alguma coisa sobre o transporte público de São Paulo – eu estava pensando o que eu ia escrever enquanto estava há mais de meia hora no ponto de ônibus tentando voltar pra casa – e pensei em falar de futebol, mas estou evitando falar desse tema ultimamente, porque meu time do coração vai de mal a pior e isso só me faz ficar triste e irritada com os rumos que o Palmeiras está tomando. Então parei um pouco e pensei no óbvio, o nome do blog é Mulheres no Boteco, então vou falar sobre o meu amor pelos botecos! A responsabilidade é grande, já que o texto da Ariane é de uma beleza sem tamanho e eu fiquei muito orgulhosa depois que li, mas aqui todo assunto é assunto, e o boteco deve ser legitimado!

Nunca fui uma grande botequeira, já deixei de ir muitas vezes ao bar com os amigos porque no outro dia eu tinha que trabalhar cedo, ou porque eu moro muito longe de todo mundo e precisava voltar pra casa, mas se eu pudesse com certeza passaria mais horas da minha vida em um boteco. Acho que é o melhor lugar pra relaxar depois de um dia estressante de muita militância, muito trabalho e muito estudo… Eu jamais trocaria um boteco de esquina por uma balada, acho também que isso é devido ao fato de eu ser meio velha de espírito (só de espírito), mas há alguém que discorde de que tomar uma cerveja estupidamente gelada com bons amigos é algo que não deve se jogar fora, e que é um momento que não podemos deixar de lado?

Fiquei tentando entender o motivo desse meu imenso amor pelos botecos e acredito que o fato de eu gostar muito de cerveja ajude bastante. Acho que eu adoro um boteco também porque só lá consigo me livrar um pouco das preocupações do dia-a-dia. Existe lugar melhor para se ter qualquer tipo de conversas? Já tive todo tipo de conversa em botecos: sobre vida amorosa, sobre alguma coisa que estava me incomodando, sobre política nacional, sobre teoria política, sobre o BBB, sobre aquele ator muito bom daquele filme que ninguém lembra o nome etc. Estar no boteco é tão bom, que eu consigo aguentar até aqueles corintianos chatos que acham que sempre estão com a razão. Então acho que é isso, eu gosto tanto dos botecos porque neles consigo ser eu mesma, consigo estar com pessoas legais e falar sobre tudo um pouco…

Infelizmente, essa rotina maluca que eu tenho me priva um pouco de poder passar bons momentos tomando uma boa cerveja gelada, então eu realmente espero que o Mulheres no Boteco consiga me ajudar a ter bons momentos de desabafos e conversas, assim como é nos botecos semanais… Claro que não será a mesma coisa, até porque nada substitui um Valente depois de uma reunião na Saúde Pública – os fortes entenderão – mas é bom saber que conseguirei ter um espaço na internet no qual eu consiga ler sobre política, futebol, BBB, aquele ator muito bom daquele filme que ninguém lembra o nome,  etc. Ah, e é claro que não vai faltar a cerveja gelada, porque eu estou aqui escrevendo com uma Original geladíssima ao meu lado.

Como fomos parar nesse boteco?

Como fomos parar nesse boteco?

Bom, esse projeto é algo que tenho em mente faz muito tempo. Na verdade, nem consigo lembrar a primeira vez que eu pensei nessa possibilidade: mulheres falando de política, futebol e cachaça. Claro que tenho que assumir que a ideia inicial não foi minha, e sim dos meninos do Futepoca, um blog genial que fala exatamente sobre esses assuntos. Mas tinha um problema no deles: são homens falando de coisas que homens falam. Por que nenhuma mulher ainda tinha pensado nisso? Por que nenhuma mulher tinha feito um blog pra debater essas questões?

Então teria que ser a gente mesmo. Fiquei com essa coisa, quase um filho, martelando minha cabeça por semanas. Aí veio tudo: pô, porque não chamar para me ajudar nesse projeto as meninas com quem mais me sinto a vontade para falar sobre esses assuntos? Primeiro, conversei com a Ari, e ela de pronto achou ótima a ideia (essa aí topa qualquer parada, que eu to ligada!). Depois, pensei na Carolzinha, que também adorou (e deu a ideia do nome do blog). Aí ficou fácil! Com duas amigas e companheiras tocando comigo essa ideia, já tá com cheiro de sucesso!

Mesa_de_barAqui, vale tudo: falar sobre uma cerveja que curtiu, sobre o time do coração, o time que odiamos, sobre a conjuntura internacional, os problemas da crise financeira, a cachaça que tomou outro dia, dicas de bons bares…. Qualquer papo de boteco é válido! O importante é as mulheres terem voz ativa nessa mesa. Porque nós também gostamos de política, de futebol e de cachaça (e como gostamos!).

Além de nós três, teremos a Giulia como colaboradora. E queremos mais mulheres. É só pegar a cadeira e sentar com a gente. E o papo vai longe, como um bom boteco. Só tem uma regra: sentou, sorriu, a conta dividiu! Afinal, nesse boteco, esperamos, cerveja e conversa é o que não vai faltar. E esperamos que esse papo de boteco vá longe. Porque é assim mesmo que a gente gosta: gente interessante, papo rolando e cerveja no copo!

Venha fazer parte desse boteco você também!