Author Archives: Carolina Ucha

Relacionamentos com Liberdade

Relacionamentos com Liberdade

Estou namorando. É um relacionamento aberto. Não, eu não “pego todo mundo”.

Comecei o post dessa forma como uma espécie de “desabafo” sobre como as pessoas enxergam o relacionamento aberto. Eu nunca li nada sobre o assunto, mas imagino que seja assim com todxs que mantem um relacionamento não-monogâmico.

Vivemos em uma sociedade que nos obriga a seguir seus padrões, então o normal é homem ter relacionamentos com mulheres e vice-versa, o normal é família, o normal é a mulher ter um só homem e o homem ter só uma mulher (oficialmente, claro, porque bem sabemos que ao homem é permitido “dar umas escapadinhas” porque é do “instinto masculino”, já a mulher que faz isso é uma “vagabunda” e assim sentimos mais um pouco do machismo nosso de cada dia).. Enfim, vivemos em uma sociedade que dita padrões de relacionamentos a todo tempo e quem não se encaixa nestes padrões é criticado, questionado e, até, julgado.

Cresci em uma família tradicional, meus pais são casados há mais de 30 anos e são muito felizes juntos. Sempre via novelas e filmes em que os casais sempre eram monogâmicos e que a traição nunca era permitida.. Pessoas que tinham relacionamentos “extra-conjugais” desde sempre eram mal faladas e  não prestavam. Por isso, sempre achei que o mais correto seria ter um namoro fechado, em que eu e meu namorado nos bastássemos e que não ficaríamos com mais ninguém.

monogamiaFelizmente, depois de ficar adulta, eu percebi que a normatização de relacionamentos heterossexuais e fechados era uma tremenda bobagem. As pessoas que se amam devem ficar juntas, independente de sexo, raça ou religião. Independente de classe social ou qualquer outra coisa que faça com que elas sejam “diferentes”. O problema pra mim sempre foi a questão da monogamia.. Por menos conservadora que eu seja, pra mim sempre foi muito difícil aceitar que alguém que eu ame e que me ama possa ficar com outras pessoas e isso foi assim até conhecer o meu atual namorado. Desde o início da nossa relação ele falava que não gostava de se sentir preso e que gostava de descobrir novas possibilidades.. Sempre falei que aceitava, mas no fundo eu sofria. Aí começamos a namorar e eu tive que ter algumas conversas muito sérias com ele. Depois de choros, brigas e reconciliações pude entender que não existe o relacionamento “normal” – aliás, eu detesto essa palavra – o que existe são diversas formas de relacionamentos e que o aberto era sim aceitável. Venho desconstruindo todos os dias na minha cabeça que a monogamia é a melhor coisa… Entendi que em um relacionamento todxs devem estar felizes (digo todxs, porque às vezes pode ser um relacionamento de mais de duas pessoas). Percebi que o meu namorado não estaria feliz se tivesse a obrigação de ficar só comigo, mas isso não significa que ele não me ame.. ele me ama e muito, mas se um dia ele quiser dar uns beijos ou qualquer outra coisa com outra pessoa  ele não precisa se sentir culpado. Nossos vínculos são baseados no amor que sentimos um pelo outro, não pela obrigação de estarmos juntos. Se algum dia isso mudar, aí sim não haverá mais razão para seguir com o relacionamento.

Aprendi nesse pouco tempo de namoro que o diálogo é a base de tudo. Eu não me sinto à vontade, por enquanto, de ficar com alguma outra pessoa, mas não sei como será daqui pra frente. O que sei é que estou feliz do jeito que estamos, e que se ele resolver ficar com outra pessoa não vai ter problema e não vou deixar de amá-lo ou vou perder a confiança nele. No meu relacionamento existe conversa e liberdade e se os dois não estiverem felizes, não tem porque estarmos juntos. Pra deixar claro, quando falo em “liberdade” não é aquilo de “ahhhh, você namora mas pode pegar todo mundo” – gente, por favor, não! – liberdade pra mim é quando eu não trato meu namorado como minha propriedade e vice-versa. Eu não sou dona dele e ele não é meu dono, nós estamos juntos e não somos um só… Estar livre em um relacionamento é quando todxs os envolvidos estão felizes e não se sentem presos.

Também aprendi nesse pouco tempo de namoro que nem todos estão prontos para ter um relacionamento aberto. E isso é uma crítica a algumas pessoas de esquerda que conheço.. Pra mim, amor livre e relacionamentos abertos não são para todos. Nem todas as pessoas conseguem se dar bem nesse tipo de relação e nós não podemos obrigar ninguém a aceitar isto. A maioria dos meus amigos militantes e que são casais tem um relacionamento monogâmico e se dão muito bem e não conseguiriam aceitar outro tipo de relação. Não é por isso que essas pessoas são conservadoras ou reacionárias. Como eu disse anteriormente, em um relacionamento as pessoas devem ser livres e ninguém deve ser propriedade privada do outro. A tal liberdade que acho que deve existir em namoros também pode existir com a monogamia, porque se o casal se respeita e não se trata como posse, esse sim é um relacionamento livre e saudável.

O feminismo e suas divergências

O feminismo e suas divergências

 

feminismo

Em  2011 eu cheguei a uma conclusão: Sou feminista e vou lutar pelo direito das mulheres, porque a luta das mulheres muda o mundo! Sempre tive em mente que ficar só na luta feminista não era o suficiente, acredito que lutar pelo feminismo é imprescindível, mas sempre achei que me formar somente nessa pauta seria insuficiente e que a militância no movimento social é muito necessária. Se você me perguntar se é difícil militar na pauta feminista e no movimento estudantil geral, eu vou responder que é sim muito difícil.. Mulheres e LGBT’s tem dupla jornada militante e é sempre muito cansativo, mas todo o esforço vale a pena. O feminismo é necessário e se nós mulheres não lutarmos por ele, ninguém mais vai lutar!

Por ser uma militante feminista, tenho que ler sobre muitas coisas, conhecer diversas linhas do feminismo e difundi-lo da melhor maneira possível. É preciso deixar claro que dentro do feminismo não existe uma verdade absoluta, existem diversas linhas de pensamento feminista, diversas ações e diversas opiniões.  Acho que o movimento é incrível por causa disso, por ter uma variedade infinita de linhas e pensamentos, mas infelizmente também existem conflitos entre as feministas. Já cansei de ver brigas entre mulheres que defendem linhas diferentes e os argumentos são os mais absurdos “você é feminista liberal, não pode falar nada” ou “essas minas do feminismo radical são umas loucas” ou “essas marxistas insuportáveis se acham donas da verdade”. Gente, parem com isso!!! Não vou ser hipócrita e falar que tenho acordo com todas as linhas de feminismo (o que é impossível, né?), mas não posso aceitar ver o desrespeito entre nós mesmas!

Tem sido bem cansativo ler os comentários e ouvir o que algumas meninas falam do meu coletivo, mas tudo bem, não vou mudar a minha linha de pensamento por causa disso. O problema é a partir do momento em que a crítica está acima da feminismo2luta. Divergências a parte, o que é mais importante é que todas nós lutemos pelo feminismo! Temos que difundi-lo e fazer com que todas as mulheres o conheçam, independente da linha que seguimos, pois nem todas as mulheres sabem que são oprimidas.. ou sabem, mas tem vergonha de admitir. Só com unidade nós vamos acabar com o machismo e fazer com que as mulheres tenham direitos iguais aos homens e não sejam oprimidas na rua por andarem com uma saia curta, por exemplo. Só com unidade é que vamos barrar o Estatuto do Nascituro. Só com a unidade é que vamos legalizar o aborto. Só com a unidade é que vamos quebrar as correntes que nos prendem.

Picuinhas tem sido mais importantes que a luta diária e isso não está correto. Não existe uma verdade absoluta na luta feminista, por isso estou ao lado de todas e todos que querem difundir a pauta e que sabem que só lutando é que vamos conseguir acabar com a opressão. O que importa é que você some à luta,  independente se é radical, marxista, liberal, lgbt, homem, transexual.. Enfim, o que nós feministas precisamos é de mais pessoas na luta, e não colocar acima dela divergências que não somam nada a nós. Respeitemos a todas e todos que acreditam no feminismo, mesmo que não haja acordo completo em tudo o que um ou outro diz. À luta, companheirxs!

p.s.: Sei que em alguns casos as divergências são muito grandes, como na questão da transexualidade. Existem mulheres que são contra trans participarem das reuniões auto-organizadas, existem outras que são a favor (esse pra mim é o exemplo mais clássico, mas também o melhor para apresentar as divergências entre as feministas). Porém, tanto as feministas que são contra quanto as que são a favor conseguem sim construir em unidade atividades feministas e conseguem chegar a um consenso. Não quero que divergências não existam, muito pelo contrário pois as divergências são importantes para construir a luta, mas acredito que existam pautas unitárias e que lutar por elas é mais importante do que julgar a colega lutadora que pensa diferente de você 

Nada como um bom boteco!

Nada como um bom boteco!

Ainda não tinha escrito nada para o blog, e ontem à noite fiquei pensando sobre qual assunto eu ia fazer a minha estreia de “blogueira”… Pensei em falar de cerveja, pensei em falar alguma coisa sobre o transporte público de São Paulo – eu estava pensando o que eu ia escrever enquanto estava há mais de meia hora no ponto de ônibus tentando voltar pra casa – e pensei em falar de futebol, mas estou evitando falar desse tema ultimamente, porque meu time do coração vai de mal a pior e isso só me faz ficar triste e irritada com os rumos que o Palmeiras está tomando. Então parei um pouco e pensei no óbvio, o nome do blog é Mulheres no Boteco, então vou falar sobre o meu amor pelos botecos! A responsabilidade é grande, já que o texto da Ariane é de uma beleza sem tamanho e eu fiquei muito orgulhosa depois que li, mas aqui todo assunto é assunto, e o boteco deve ser legitimado!

Nunca fui uma grande botequeira, já deixei de ir muitas vezes ao bar com os amigos porque no outro dia eu tinha que trabalhar cedo, ou porque eu moro muito longe de todo mundo e precisava voltar pra casa, mas se eu pudesse com certeza passaria mais horas da minha vida em um boteco. Acho que é o melhor lugar pra relaxar depois de um dia estressante de muita militância, muito trabalho e muito estudo… Eu jamais trocaria um boteco de esquina por uma balada, acho também que isso é devido ao fato de eu ser meio velha de espírito (só de espírito), mas há alguém que discorde de que tomar uma cerveja estupidamente gelada com bons amigos é algo que não deve se jogar fora, e que é um momento que não podemos deixar de lado?

Fiquei tentando entender o motivo desse meu imenso amor pelos botecos e acredito que o fato de eu gostar muito de cerveja ajude bastante. Acho que eu adoro um boteco também porque só lá consigo me livrar um pouco das preocupações do dia-a-dia. Existe lugar melhor para se ter qualquer tipo de conversas? Já tive todo tipo de conversa em botecos: sobre vida amorosa, sobre alguma coisa que estava me incomodando, sobre política nacional, sobre teoria política, sobre o BBB, sobre aquele ator muito bom daquele filme que ninguém lembra o nome etc. Estar no boteco é tão bom, que eu consigo aguentar até aqueles corintianos chatos que acham que sempre estão com a razão. Então acho que é isso, eu gosto tanto dos botecos porque neles consigo ser eu mesma, consigo estar com pessoas legais e falar sobre tudo um pouco…

Infelizmente, essa rotina maluca que eu tenho me priva um pouco de poder passar bons momentos tomando uma boa cerveja gelada, então eu realmente espero que o Mulheres no Boteco consiga me ajudar a ter bons momentos de desabafos e conversas, assim como é nos botecos semanais… Claro que não será a mesma coisa, até porque nada substitui um Valente depois de uma reunião na Saúde Pública – os fortes entenderão – mas é bom saber que conseguirei ter um espaço na internet no qual eu consiga ler sobre política, futebol, BBB, aquele ator muito bom daquele filme que ninguém lembra o nome,  etc. Ah, e é claro que não vai faltar a cerveja gelada, porque eu estou aqui escrevendo com uma Original geladíssima ao meu lado.