Por um mundo com mais vibradores

Por um mundo com mais vibradores

Eu tenho um vibrador. Sim, um vibrador, aquele aparelhinho em formato fálico que, ao ser ligado, vibra em diferentes intensidades. Sim, aquele usado para se masturbar. AI MEU DEUS, ela disse “se masturbar”? Sim, disse. E digo mais: eu tenho um vibrador e me masturbo com ele quase todos os dias.

Pode parecer uma perversão para a maioria das pessoas que vão ler isso aqui, mas eu me masturbo. Ao contrário da maioria dos homens, não comecei a me masturbar ao 13, 14 anos. Descobri o prazer da auto-descoberta depois que perdi a virgindade, exatamente porque o meu parceiro me masturbou antes de transar. Aí eu pensei: poxa vida, se ele pode me dar prazer apenas com a mão, por que eu não posso também? No começo, confesso, minhas tentativas foram meio frustradas. Não foi tão legal quanto eu imaginava  e, em muitas situações, eu, ao invés de sentir prazer, me senti incomodada. Mas eu sou brasileira e não desisto nunca. Comecei, antes de me masturbar, a ver filminhos pornôs, daqueles curtinhos, só pra dar “uma animada”. Aí, quando eu ia me masturbar, a coisa já tava meio caminho andado, saca?

Mas eu senti que podia mais. Sentia que eu podia me dar um prazer maior. E fui me descobrindo. Não foi fácil: rola uma vergonha, rola medo, rola de tudo. E isso que chamam por aí de tabu. Mas eu resolvi que queria me descobrir, descobrir meu corpo. E descobri o que é sentir prazer comigo mesma, e descobri o que eu gosto e o que eu não gosto. E descobri que descobrir meu próprio corpo é, necessariamente, saber dizer ao meu (minha) parceir@ o que eu quero, o que eu gosto, como eu gosto. Poxa, por que só o homem pode saber o que gosta?

Não, ninguém me ensinou sobre o meu próprio corpo. Mas, estou certa, que meus primos e amigos homens sabiam muito bem como fazer, porque eles podem fazer. Porque com o homem não é tabu. Porque ao homem, o prazer é permitido.

Então, o que eu quero dizer é: que eu quero lutar por um mundo com mais vibradores e com menos tabus. Porque o meu vibrador é uma delícia, meu bem. E descobrir diferentes prazeres também. E homens, parem de ser chatos e machistas: vocês também só ganham com o meu vibrador e o meu auto-conhecimento. Porque eu sei que o sexo em que os dois estão felizes, em que eu não esteja fingindo um orgasmo, em que o meu gemido de “gostoso” seja real é muito mais gostoso do que transar com uma boneca inflável de carne e osso. Eu também tenho o direito de gozar, meu bem!

O meu vibrador, agora, é um amigo inseparável. E nem me venham com preconceito. Ele é lindo e me dá prazer. E daí?

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