O futebol de gravata

O futebol de gravata

Peço licença para quem já conhece, mas vou fazer aqui um jabá para o mais novo blog amigo: Sampa Midnight, da queridíssima Paula Kaufmann!

E para fazer o jabá completo, colocamos aqui um texto mais do que necessário sobre a palhaçada do STJD, que rebaixou a Lusa! Tapetão a favor do Fluminense não dá!!!! (pegamos o texto do blog dela)

Qualquer um que goste de futebol não tem como estar feliz neste fim de tarde. Hoje o Superior Tribunal de Justiça Desportiva decidiu pela punição de retirada de 4 pontos da Portuguesa após o fim do campeonato, decisão que faz com que a Portuguesa seja rebaixada, salvando o Fluminense de jogar a série B em 2014. A punição diz respeito à entrada em campo do jogador Hérverton por 13 minutos no último jogo do campeonato, em uma partida que não colocava nada em jogo. A Lusa estava praticamente garantida na série A e o Grêmio com vaga certa na Libertadores.

O advogado que representava a Portuguesa, indicado pela CBF, não notificou a direção do clube nem a comissão técnica da decisão de dois jogos de suspensão que o jogador deveria cumprir. Osvaldo Sestário, que representa 43 clubes brasileiros e participa de 25 a 30 audiências semanais, tem relações de muitos anos com a CBF que parece ter patrocinado boa parte de sua carreira. Ele costuma representar clubes que não tem um setor jurídico consistente, sempre aqueles que tem muito menos recursos que os grandes times brasileiros.

Primeiramente, a justiça não é uma ciência exata. É preciso analisar o caso não simplesmente aplicando as palavras da lei, mas entendendo o que faz com que o futebol perca mais. A pena recebida prejudicou muito mais a Portuguesa do que o Grêmio no jogo de domingo. Como teria agido o time de má fé se colocou um atleta indiferente (para não dizer risível) para jogar 13 minutos em um jogo que não valia nada e estava terminando em empate?

Em segundo lugar, me recuso a acreditar que este “ruído” de comunicação entre o advogado e a Portuguesa tenha sido acidental. No futebol brasileiro, o acaso é sempre a última alternativa. A cartolagem e a corrupção correm soltas pelos vestiários (e não isento a Portuguesa disso!). Se não estivesse envolvido, como tanto foi bradado pelo Fluminense, porque o time se declarou como parte interessada e teve seu advogado depondo no tribunal? E mais uma vez o time carioca decide seu destino fora do gramado.

A indignação que sinto não é somente pelo fato de ser uma torcedora lusitana e ter sofrido junto com cada suor do meu time a luta para seguir na primeira divisão. A tristeza é pela constatação – que não é de hoje, mas que só se confirma – de que o futebol não é o esporte dos brasileiros, mas de alguns brasileiros. Daqueles que, engravatados, decidem no aperto de mão e na mala cheia de dinheiros o futuro do esporte mais popular do Brasil.  Enquanto a cartolagem e os grandes poderosos decidirem os rumos do futebol, ele se tornará cada vez mais triste.

Enquanto aguardamos, sem esperança, o julgamento do recurso da Portuguesa, a minha certeza é de seguir ao lado da torcida lusitana que tomou a Paulista neste fim de semana e dos padeiros que boicotam os patrocinadores da CBF. Que os novos tempos ecoem também dentro das salas dos tubarões do futebol brasileiro.

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