Monthly Archives: março 2013

Rússia: um estilo que o Brasil vai ter que se acostumar

Rússia: um estilo que o Brasil vai ter que se acostumar

Demorei pra conseguir sentar pra escrever sobre o jogo Brasil e Rússia, mas acho que algumas coisas precisam ser ponderadas a respeito dele… até porque foi bem possível perceber que ou o Brasil aprende um jeito diferente de jogar futebol, ou a coisa vai ficar feia (afinal, a Copa das Confederações, com todas as suas contradições políticas – cabe aí um texto só sobre isso… -, vai rolar).

Eu, pra ser sincera, não tinha nenhuma pretensão de assistir ao jogo. Em meio à loucura que estamos vivendo (CONUNE chegando, Acampamento Internacional aí já), estava totalmente fora de cogitação parar por 90 minutos pra ver uma partida… mas acontece que eu acabei parando em um boteco, tomando uma coca (acreditem ou não) e vendo todo o primeiro tempo e uma parte do segundo. Não vi, por exemplo, o gol salvador do Fred, já quando todo mundo achava que ia rolar mesmo um 0×0, ou até uma vitória da Rússia. Nem vi se no decorrer do segundo tempo rolou uma melhora do Brasil em relação ao tempo de bola, aos passes (um dos maiores problemas no primeiro tempo) e mesmo as finalizações, que estavam bem difíceis…

O fato é que eu vi, nos 15 primeiros minutos, um Brasil acuado, com medo de jogar. O resultado foi um sufoco que tomou, com várias finalizações russas, escanteios e chances de gol claras. Claro que a defesa brasileira jogou muito bem, mas quando 10 dos 11 jogadores que estão em campo ficam na defensiva, isso é sinal que o Brasil precisa melhorar a sua maneira de entrar em campo.

Dizem por aí que a seleção esteve melhor do que na semana anterior, em que jogou com a Itália. Não sei. Só sei que se isso é estar bem, tenho medo do momento em que o time estiver em uma crise. Sufoco, medo, defensiva, dificuldade de encontrar o companheiro em campo… Tudo que a gente não espera de uma seleção que quer conquistar o título em pouco tempo.

Acho que esse post merece um destaque: Neymar. Ótimo jogador, por mais difícil que seja pra mim admitir, mas claramente ainda sofre do que eu poderia chamar de Síndrome do Craque: querendo resolver tudo sozinho, sem passar a bola, segurando muitas vezes sem necessidade. Ainda falta carisma e amadurecimento. Tomara que isso chegue logo.

Isso posto, não dá pra culpar um jogador pelo que aconteceu em Londres na segunda-feira. A impressão que tenho é que saímos com uma vitória meio amarga, meio com medo que vem depois. Foi a primeira vitória do Felipão pela seleção nessa nova fase. Mas daquelas sofridas, que não dão lá muito orgulho.

Além dessas questões todas, que podemos analisar melhor nos próximos jogos e na própria Copa das Confederações, queria comentar aqui uma outra questão. Quando eu entrei no bar, claro, ele estava vazio. Mas depois de um tempo uma meia dúzia de gatos pingados entrou, sentou, pediu uma cerveja. Todos homens. Todos me olhando com uma cara estranha. Ainda não sei dizer se é porque eu era a única mulher no local, se era porque eu tava tomando coca vendo jogo, se é porque eu estava sozinha na mesa, se é porque não é normal ver mulher assistindo jogo em bar ou pelo conjunto da obra. O fato é que eu causei um estranhamento engraçado. Até os garçons estavam achando tudo meio estranho. Estranho, pra mim, é essa relação estranha em que bar, cerveja e futebol não são espaços para mulher. Uma pena. Me diverti muito vendo o jogo, mesmo com o sofrimento com os problemas do Brasil.

Mas seguiremos tentando. Furando a bolha. Minha meta agora é ver um jogo tomando cerveja sozinha num bar. Conto aqui depois o resultado (só depois, claro, de voltar de Buenos Aires… que também, claramente, merecerá um grande post).

A contribuição de um boteco carioca

A contribuição de um boteco carioca

É com muita alegria que eu publico esse texto… Maíra Tavares Mendes, amiga querida que está no Rio, nos procurou pelo facebook dizendo que também está muito animada com a nossa ideia do blog e resolveu puxar uma cadeira (mesmo que seja assim, meio longe, tomando uma cerveja lá no Rio mesmo…). Taí o resultado:

Aí pronto. Política, boa companhia, bebida, futebol, e um blog chamado Mulheres no boteco? Pego o copo, cerveja (Cintra, Nobel e Schin eu fico na água mesmo) e entro na torcida. Ainda mais com provocação da outra torcida (que devo admitir, à altura, ainda que, “por uma cabeza”, em segundo lugar, do Pelas Tabelas).

Eu até tentei ter um blog que funcionou quando eu dava aula de Biologia na Prefeitura de São Paulo, o Blablabio, mas acabei deixando a desejar nas atualizações, um pouco porque a internet precária aqui de casa me irrita nos uploads (um dia posto só sobre minha pertença ao Movimento dos Sem Internet Banda Larga), um pouco porque tem todo um mundo de coisas acontecendo lá fora (além de um celular porcaria da Santa Ifigênia que não entra na Internet, mas que eu mantenho por puro protesto contra a obsolescência planejada) e o outro pouco eu confesso por preguiça, que o ócio também deveria estar incluso nos direitos humanos (coisa que a burguesia bem sabe usufruir – e via de regra, os homens mais do que as mulheres, já que dificilmente numa família cabem a eles as tarefas domésticas cotidianas).

Há uns tempos to querendo trocar algumas impressões sobre o canal do Youtube “Portas dos Fundos”. De uma hora pra outra, todo mundo que eu conheço começou a compartilhar no Facebook. Demorei um pouco pra ver porque a porcaria da minha internet não me permite ver vídeos, e aí quando acessei internet e verdade, comecei logo com o típico comportamento de nerd atrasada tecnologicamente: entrar no Youtube e ficar vendo um vídeo atrás do outro pra ter uma ideia do que é. Até hoje eu fico tentando descobrir se eu gosto ou não da série. Se eu dizer que não gosto, eu to mentindo, porque com algumas coisas eu rio descontroladamente. Mas também não acho justo dizer que gosto da série, sem levantar algumas coisas que me incomodam.

Coisas muito boas da série: 1) é uma mega produção – os vídeos tem qualidade excelente, equipe profissional mesmo pra brincar de cinema em vários aspectos – fotografia, luz, figurino, maquiagem, áudio, e por aí vai. Acho que esse vídeo é legal porque mostra a importância de vários trabalhos quase invisíveis socialmente, mas que fazem toda a diferença no produto final: http://www.youtube.com/watch?v=SITIFVzSXG8&list=UUEWHPFNilsT0IfQfutVzsag&index=25 2) Como é uma produção de alguma forma independente (já falo mais sobre isso), tem algum grau de liberdade – do tipo temas moralmente condenáveis, palavrões, triplos sentidos, dentre outras situações que causam alguns tipos particulares de humor. Digo de alguma forma dependente, porque uma produção desse quilate certamente conta com um financiamento que muito poucos artistas no Brasil teriam condições de conseguir – mas que desconfio que alguns do elenco da série teriam os contatos necessários para isso. 3) Dá a impressão de estar aberto ao improviso do elenco – dá pra perceber alguns toques do stand up na série, mas com a grande vantagem da edição, que elimina aquela obrigação de fazer piada toda vez que abre a boca.

Agora percebi que sistematicamente tem uma coisa da série que me incomoda muito: a perspectiva. Falta identidade com o vídeo, porque não tem a fala das mulheres. Não é só pelo fato de terem poucas mulheres no elenco e de elas serem sempre absolutamente secundárias no enredo (mesmo neste vídeo, é um roteiro claramente escrito por um homem, falado pela boca de uma mulher). É porque não tem a mulher no boteco, a mulher no trabalho, a mulher em casa, a mulher que ri. Não, a mulher retratada é sempre a mulher “de”, a mulher com preposição, a mulher com propriedade, a que só tem a sua posição perante o homem: a namoradinha, a católica, a amante, a noiva, a esposa, a sex simbol, a mulher estereótipo. Acontece que essa mulher aí não existe. Tá faltando a mulher que ri, que bebe, que goza, que trabalha, que dança, que briga, que joga futebol, que faz política, que gosta de escrever. Como as que escrevem aqui, no Mulheres no Boteco.

Nada como um bom boteco!

Nada como um bom boteco!

Ainda não tinha escrito nada para o blog, e ontem à noite fiquei pensando sobre qual assunto eu ia fazer a minha estreia de “blogueira”… Pensei em falar de cerveja, pensei em falar alguma coisa sobre o transporte público de São Paulo – eu estava pensando o que eu ia escrever enquanto estava há mais de meia hora no ponto de ônibus tentando voltar pra casa – e pensei em falar de futebol, mas estou evitando falar desse tema ultimamente, porque meu time do coração vai de mal a pior e isso só me faz ficar triste e irritada com os rumos que o Palmeiras está tomando. Então parei um pouco e pensei no óbvio, o nome do blog é Mulheres no Boteco, então vou falar sobre o meu amor pelos botecos! A responsabilidade é grande, já que o texto da Ariane é de uma beleza sem tamanho e eu fiquei muito orgulhosa depois que li, mas aqui todo assunto é assunto, e o boteco deve ser legitimado!

Nunca fui uma grande botequeira, já deixei de ir muitas vezes ao bar com os amigos porque no outro dia eu tinha que trabalhar cedo, ou porque eu moro muito longe de todo mundo e precisava voltar pra casa, mas se eu pudesse com certeza passaria mais horas da minha vida em um boteco. Acho que é o melhor lugar pra relaxar depois de um dia estressante de muita militância, muito trabalho e muito estudo… Eu jamais trocaria um boteco de esquina por uma balada, acho também que isso é devido ao fato de eu ser meio velha de espírito (só de espírito), mas há alguém que discorde de que tomar uma cerveja estupidamente gelada com bons amigos é algo que não deve se jogar fora, e que é um momento que não podemos deixar de lado?

Fiquei tentando entender o motivo desse meu imenso amor pelos botecos e acredito que o fato de eu gostar muito de cerveja ajude bastante. Acho que eu adoro um boteco também porque só lá consigo me livrar um pouco das preocupações do dia-a-dia. Existe lugar melhor para se ter qualquer tipo de conversas? Já tive todo tipo de conversa em botecos: sobre vida amorosa, sobre alguma coisa que estava me incomodando, sobre política nacional, sobre teoria política, sobre o BBB, sobre aquele ator muito bom daquele filme que ninguém lembra o nome etc. Estar no boteco é tão bom, que eu consigo aguentar até aqueles corintianos chatos que acham que sempre estão com a razão. Então acho que é isso, eu gosto tanto dos botecos porque neles consigo ser eu mesma, consigo estar com pessoas legais e falar sobre tudo um pouco…

Infelizmente, essa rotina maluca que eu tenho me priva um pouco de poder passar bons momentos tomando uma boa cerveja gelada, então eu realmente espero que o Mulheres no Boteco consiga me ajudar a ter bons momentos de desabafos e conversas, assim como é nos botecos semanais… Claro que não será a mesma coisa, até porque nada substitui um Valente depois de uma reunião na Saúde Pública – os fortes entenderão – mas é bom saber que conseguirei ter um espaço na internet no qual eu consiga ler sobre política, futebol, BBB, aquele ator muito bom daquele filme que ninguém lembra o nome,  etc. Ah, e é claro que não vai faltar a cerveja gelada, porque eu estou aqui escrevendo com uma Original geladíssima ao meu lado.

Como fomos parar nesse boteco?

Como fomos parar nesse boteco?

Bom, esse projeto é algo que tenho em mente faz muito tempo. Na verdade, nem consigo lembrar a primeira vez que eu pensei nessa possibilidade: mulheres falando de política, futebol e cachaça. Claro que tenho que assumir que a ideia inicial não foi minha, e sim dos meninos do Futepoca, um blog genial que fala exatamente sobre esses assuntos. Mas tinha um problema no deles: são homens falando de coisas que homens falam. Por que nenhuma mulher ainda tinha pensado nisso? Por que nenhuma mulher tinha feito um blog pra debater essas questões?

Então teria que ser a gente mesmo. Fiquei com essa coisa, quase um filho, martelando minha cabeça por semanas. Aí veio tudo: pô, porque não chamar para me ajudar nesse projeto as meninas com quem mais me sinto a vontade para falar sobre esses assuntos? Primeiro, conversei com a Ari, e ela de pronto achou ótima a ideia (essa aí topa qualquer parada, que eu to ligada!). Depois, pensei na Carolzinha, que também adorou (e deu a ideia do nome do blog). Aí ficou fácil! Com duas amigas e companheiras tocando comigo essa ideia, já tá com cheiro de sucesso!

Mesa_de_barAqui, vale tudo: falar sobre uma cerveja que curtiu, sobre o time do coração, o time que odiamos, sobre a conjuntura internacional, os problemas da crise financeira, a cachaça que tomou outro dia, dicas de bons bares…. Qualquer papo de boteco é válido! O importante é as mulheres terem voz ativa nessa mesa. Porque nós também gostamos de política, de futebol e de cachaça (e como gostamos!).

Além de nós três, teremos a Giulia como colaboradora. E queremos mais mulheres. É só pegar a cadeira e sentar com a gente. E o papo vai longe, como um bom boteco. Só tem uma regra: sentou, sorriu, a conta dividiu! Afinal, nesse boteco, esperamos, cerveja e conversa é o que não vai faltar. E esperamos que esse papo de boteco vá longe. Porque é assim mesmo que a gente gosta: gente interessante, papo rolando e cerveja no copo!

Venha fazer parte desse boteco você também!